A astrologia e o(s) fim(ns) do mundo

Perdeu? Tudo bem. Vai ter outro.

Desde a antiguidade, previsões apocalípticas têm causado medo. Algumas foram feitas por astrólogos e causaram pânico e mortes. Até hoje, esse tipo de previsão é motivo de preocupação para algumas pessoas.

A astrologia e o(s) fim(ns) do mundo

Você perdeu? Tudo bem, logo haverá outro

Previsões apocalípticas surgem com relativa frequência desde os tempos antigos e algumas ganham destaque nos meios de comunicação. Talvez você ainda se lembre do caso do calendário Maia que, segundo alguns, previa o fim do mundo para 2012. Foram semanas de matérias em jornais, revistas e programas de tv, com estudiosos, místicos e supostos especialistas em escrituras antigas. Pois é, como deu pra perceber, o munda não acabou e as previsões continuam. Seja com base em interpretação de textos religiosos, em mensagens mediúnicas ou em dados supostamente científicos, dando conta que um asteroide ou um planeta desconhecido estaria em rota de colisão com a Terra, sempre há uma previsão de fim de mundo circulando por aí.

No passado, as pessoas não tinham como se informar e as previsões se misturavam aos boatos, chegando a causar pânico na população, desordem social a até suicídios. E algumas dessas previsões foram feitas por astrólogos, o que suscita a questão: pode a astrologia prever eventos dessa magnitude? A nossa opinião é não, E levantamos um argumento para sustentá-la que, pode não ser irrefutável, mas dá o que pensar. Para que uma previsão astrológica do fim do mundo fosse coerente, teria de ser confirmada no mapa individual de cada um dos 7 bilhões de habitantes da Terra, ou não? Você, as pessoas que você ama, seu vizinho, a Shakira e o Silvio Santos, todos deveriam ter a morte indicada no mapa natal, o que, convenhamos, é pouco provável. Aliás, a questão da previsão da morte ou do tempo de vida da pessoa também é uma questão delicada, que abordaremos em outro texto.

Qualquer pessoa que se dedicar sem preconceitos ao estudo da astrologia, será levado a concordar que esta disciplina tem muito a nos oferecer, mas não se deve esperar que seja possível abordar todos os assuntos e que ela  responda a todas as perguntas. São muitas as possiblidades, mas há limites e isso não é demérito. A linguagem astrológica é simbólica e as posições planetárias não permitem sempre uma interpretação assertiva e inequívoca, mas sim oferecem camadas de interpretação. Claro que há astrólogos mais precisos que outros e alguns são, de fato, espantosamente certeiros, como Evangeline Adams, que segundo consta teria previsto a própria morte.

Não se sabe se tal acuidade preditiva se deve exclusivamente à análise das variáveis astrológicas, ou se podemos atribuí-la, pelo menos parcialmente, à intuição, à sensibilidade, à vidência, à  mediunidade ou algo assim. O próprio Nostradamus, talvez o mais famoso astrólogo-vidente da história, fazia uso de uma bacia d´água na qual tinha suas visões.  Na verdade, não se sabe o que em suas controversas Centúrias é resultado do estudo dos astros, de concepções religiosas radicais, vidência ou mesmo de charlatanismo.

Realmente, há muitos casos de previsões do fim do mundo feitas com base em crendices e devaneios, mas também há as que foram feitas por aqueles que, se não eram astrólogos profissionais, eram estudiosos de astrologia. Algumas dessas previsões tiveram resultados desastrosos.

Em 1179, um astrólogo chamado João de Toledo previu o fim do mundo, que seria causado pela água. Interessante notar que muitos previram que a destruição se daria pela água, inundações, enchentes, dilúvios, como na Bíblia, o que já nos faz suspeitar se tais previsões não estariam impregnadas de religiosidade. O dilúvio foi previsto para 1186, portanto, durante sete anos as pessoas esperaram o final e, quando o dia foi se aproximando, a tensão foi crescendo até que muitos entraram em desespero, enquanto outros se aproveitavam. Ocorreram saques às casas que haviam sido abandonadas e alguns casos de suicídio,

O acadêmico alemão Johannes, Stoeffler, nascido em 1452, fez uma interpretação astrológica que previa um dilúvio e causaria o fim do mundo em  20 de fevereiro de 1524, o que levou o conde Von Iggleheim a construir uma arca. Como o dia previsto amanheceu chuvoso, as pessoas começaram a entrar em pânico e invadiram a arca, o que causou a morte do conde e de alguns populares. Stoeffler não quis admitir o erro e fez nova previsão, então para 1528, mas quando ele morreu, em 1531, o mundo ainda não havia acabado.

Na mesma época, com base num alinhamento planetário no signo de Peixes, astrólogos londrinos chegaram à conclusão que haveria uma grande inundação no dia primeiro de fevereiro de 1524 (sim, novamente um dilúvio, o que é até coerente, já que o alinhamento era em Peixes, né?) Um mês antes, centenas de pessoas abandonaram a cidade, para procurar abrigo em terras mais altas. No dia 2 de fevereiro, elas começaram a voltar para suas casas, que não tinham sido destruídas pelo dilúvio, mas que haviam sido saqueadas por aproveitadores.

Também há o caso da malograda previsão do monge e matemático Michael Stifel, que  calculou o fim do mundo para 18 de outubro de 1533. Como, obviamente, a previsão não se confirmou, ele teria sido humilhado em praça pública. E há um caso mais recente, de astrólogos hindus que previram o apocalipse para 2 de fevereiro de 1962. Não se sabe se é piada, mas, segundo consta, eles teriam dito que a previsão só não se confirmou porque os deuses mudaram de ideia. Seja como for, este caso serve para nos lembrar de que a astrologia talvez não deva mesmo ser usada como uma espécie de chave-mestra universal que abre todas as portas. O caso também ilustra o quanto a astrologia pode ser permeável, principalmente aos dogmas e às crenças do astrólogo.

Fonte: Vistral.